domingo, 13 de julho de 2014

LIVRO. Barba Ensopada de Sangue

Já tentei de toda forma começar esse post. Acho que o tempo que fiquei sem postar me afetou. Mas enfim, vamos tentar, né?

Comprei esse livro de presente para uma amiga. Temos os gostos muito parecidos - só que ela tem mais bom gosto que eu - e eu já tinha ouvido falar coisas boas sobre esse livro e tinha muita curiosidade para ler alguma coisa do autor, então comprei pra ela me emprestar. Tenho umas lógicas estranhas, eu acho.

O autor, Daniel Galera, vem despontando e ganhando cada vez mais destaque dentro da literatura nacional contemporânea. Já tem quatro romances lançados, alguns traduzidos para fora do Brasil. E alguns prêmios importantes: dois Jabutis e um de Melhor Livro do Ano pelo Prêmio São Paulo de Literatura. Considerando que ele tem apenas 35 anos. É um cara para se conhecer, no mínimo.


Imagina. Um dia seu pai te chama em sua casa, faz algum tempo que vocês não se vêm. E depois de contar a história de seu avô, seu pai te avisa que vai suicidar e que é pra você sacrificar sua fiel cachorra para que ela não viva sozinha. Esse é o empurrão que o enredo te dá. Complexo, né? Barba Ensopada de Sangue é bem assim.

A partir daí, você acompanha a vida do protagonista que não tem nome, mas é um cara íntimo e peculiar. Ele resolve se mudar para uma praia, perto do inverno, com a cachorra, que não tem coragem de sacrificar. Na cidade que o seu avô viveu o fim da vida. A praia é um lugar deslumbrante. Sabe aquela sensação de infinito na linha do horizonte, onde o mar encontra o céu, e você se sente pequeno e vazio. É bem assim, que o personagem se sente, e o leitor também.

A história tem um propósito. Assim como a crítica da contra-capa do livro diz. E vai decididamente até seu propósito, porém sem pressa nenhuma, porque sabe que vai chegar. Os personagens são fortes. Todos muito complexos. Os lugares, as sensações, as histórias abertas que não parecem carecer de finais, tudo parece ser bem real. A verossimilhança interna da história é muito bem construída.

Cheguei a ter medo algumas vezes. Mas é um medo que dá vontade de conhecer o inimigo.

A escrita é bem gostosa. Flui. Não utiliza muito das pontuações, uma liberdade poética e uma riqueza de detalhes que te traz para dentro da história. Te torna um morador sem rosto de Garopaba. Aliás, preciso visitar essa cidade!

A edição da Companhia das Letras é sensacional. Um trabalho muito bem feito. Arte linda. Eu, pessoalmente, só não gosto do papel em que a capa é feito. Não gosto da textura e da propensão para sujar. Mas tenho que aprender a ser menos chato. Principalmente já que a editora fez três capas: vermelha, azul e verde. Todas muito bonitas.

Merece muito ser lido. Até agora, está disparado no topo das melhores leituras do ano.

Há apenas dois lugares possíveis para uma pessoa. A família é um deles. O outro é o mundo inteiro. Às vezes não é fácil saber em qual dos dois estamos.

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Preparando os pulmões para dar aquela assoprada aqui no Blog. Tirar as poeiras, as teias de aranha e voltar a atividade.