O primeiro post deste blog fala sobre um livro verde que nesse último ano esteve presente em muitas mãos adolescentes: As Vantagens de Ser Invisível, de Stephen Chbosky. Lançado em 1999 sob o nome original de The Perks Of Being A Wallflower, a história é contada em primeira pessoa por Charlie em uma série de cartas endereçadas a um amigo, papel que o leitor assume desde o começo da narrativa.
Primeiramente eu gostaria de entender o motivo do boom que esse livro teve. Até ano passado, ninguém (eu pelo menos) tinha ouvido falar sobre a obra lançada no Brasil pela Rocco - Jovens Leitores. Só quando anunciaram uma versão cinematográfica que a história obteve destaque. O filme, que eu ainda não assisti, é estrelado por rostos conhecidos dos jovens: Emma Watson e Logan Lermann. Escolha inteligente do elenco, pois abraçou fãs tanto da franquia Harry Potter como Percy Jackson. Acredito que seja esse o motivo de tal estardalhaço.
Charlie é um adolescente que após a perda de um amigo se vê sozinho entrando no equivalente ao Ensino Médio. No decorrer do seu primeiro ano, conhece Patrick e Sam, seus mais novos melhores amigos. Charlie é um jovem inteligente, que mantém uma relação muito mais fraternal que a costumeira professor-aluno com Bill, seu professor de inglês. Tem uma família com problemas, como todas as outras, porém unidas de um amor que aos olhos de Charlie passa a ser muito doce. Desde que sua tia Helen morreu, ele tem alguns distúrbios. E é nesse contexto que Charlie passa por suas experiências de descoberta do mundo, da vida e de si.
Porém, a história não é só mais uma história de um menino que viveu aventuras no Ensino Médio. E isso é o que me assusta, porque a maioria das pessoas que leram acham que é. O personagem do Charlie, não é mais um menino especial na sua maneira romântica de ver a vida. A apatia do personagem é um plot que merece ser mais analisado. Aos meus olhos, não é só uma história de um jovem, é a história de um jovem com problemas psiquiátricos. Desde o começo do livro, eu percebi isso. A narração epistolar é descontinuada. Ao passar do tempo e com os trabalhos que o professor pede para Charlie fazer, a narração ganha foco - sacada ótima do autor - . Eu queria chamar a atenção das pessoas que já leram e das que vão ler para as partes em que Charlie fala de seu amor com sua falecida tia e com a relação de Charlie com a sexualidade. O desfecho desses plots me deram arrepios por não serem esperados por mim.
Apesar de não ter lido a versão original, sinto que é melhor do que a tradução de Ryta Vinagre. Ela transforma a história como se fosse uma história brasileira, talvez por motivos comerciais: fala do sistema de ensino do Brasil, em termos como Ensino Médio, em uma história que reclama influencias da cultura americana como seriados, músicas, livros... Também não gostei de como o autor coloca personagens que não tem funções na história, como Alice, por exemplo. Porém, me encantou como toca de uma forma não convencional e didática no homossexualismo e drogas. Mas de uma forma geral, o livro é uma boa leitura pra quem olhar além das aventuras de um menino na escola.
Agora que já li o livro, posso assistir ao filme. Talvez eu volte aqui para contar minha experiência com a obra cinematográfica. Não tinha visto nem o trailler, agora que vi, estou curioso para ver as atuações de Watson, Lerman e principalmente do Ezra Miller que é um ator sensacional.


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