domingo, 1 de setembro de 2013

Bala Na Agulha - Marcelo Rubens Paiva

Não é segredo pra ninguém que o Marcelo Rubens Paiva é meu escritor preferido. Aliás, sempre foi complicado pra mim definir um autor, uma obra, uma música preferida, na maioria das vezes a eleita era a última com que tive contato. Mas eis que surge Marcelo Rubens Paiva na minha vida, em dezembro do ano passado e muda tudo.

Marcelo Rubens Paiva

Marcelo Rubens Paiva, pra quem não conhece, é um paulista 'encariocado' de 54 anos. Um nome forte vinculado ao desaparecimento do seu pai na época da ditadura militar. E que aos vinte um anos, depois de um mergulho, ficou tetraplégico. Uma vida precoce retratada em sua primeira obra com ares auto-biográficos 'Feliz Ano Velho' que na época de lançamento (1981) se tornara um best-seller. 

Nessa obra, somos introduzidos na vida de Thomas, um traficante brasileiro que mora nos Estados Unidos e que troca tanto de nome durante o enredo quanto de país. O pontapé inicial é quando Thomas, que também é um garoto de programa é contratado para fazer um serviço. Porém, sua cliente aparece morta e esquartejada nas páginas dos jornais, no dia seguinte. A trama envolve segredos do Estado brasileiro, sua rotina, questões com consulados, narcotráfico... Tudo o que no contexto da obra (1994) se via no Brasil.

Capa de Bala Na Agulha (7ª edição), Editora Siciliano.

Esse livro tem a narrativa rápida, envolvente, com linguagem fácil de se entender. Em contrapartida, abusa de cenas desnecessárias, como incesto. Os personagens não são envolventes, não se cria nenhum tipo de questão maior a cerca deles, não tem como se identificar, são retratados superficialmente. 

Lançado pela Editora Siciliano, o livro pra mim foi uma decepção. Se assemelha muito com a coleção Vagalume de Marcos Rey, só que sem a aura da infância, com cenas de sexo. O livro não é ruim, mas não acompanha o estilo brilhante do autor de obras como Blecaute e Malu de Bicicleta. Vou apagar essa leitura da minha memória e continuar imaginando o Paiva como meu super-heroi literário. 


Próximas vítimas:
Acabei de ler Quero Minha Mãe, de Adélia Prado, mas ainda não estou seguro pra falar da obra dela.

Próximas leituras:
- O Continente, Érico Veríssimo
- O Grito Vermelho, Bruno Godoi

Um comentário:

  1. Como assim eu não fazia ideia de que ele era o seu autor preferido? Acredita que nunca li nada dele? Preciso resolver isso urgentemente! Haha
    E, realmente, essa capa...

    ResponderExcluir