segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Duas meninas com poucas letras nos nomes e muitas histórias pra contar.

Acho bacana quando bato o olho em alguém e sinto que essa pessoa vai ter um futuro brilhante, com muito reconhecimento, pois já com pouca idade demonstra uma bagagem desproporcional. Esse sentimento é uma mistura de orgulho, esperança e felicidade. Não sei se só eu que o sinto. Acredito que ele ainda não tem nome, mas tem figura. A imagem que mais me remete a esse sentimento é o rosto de duas meninas: Najla Brandão e Sarah Rodrigues. Não que eu tenha cacife para recomendar alguma coisa, mas se tivesse, recomendaria que vocês conheçam essas duas almas. O que pode ser possível pelas páginas onde se derrama talento e o gosto pelo sensível.

O Esticafio, Sarah Rodrigues.

A Pé


Estou com frio.

Não há coberta que me aqueça. Acoberta-me só um par de braços, aquece-me um respirar que eu possa ouvir, que vá e venha como as batidas descompassadas do meu peito. Sobre os trilhos que conduzem a você os trens são incertos. Ora correm, ora param. Existem e não existem. Aros enferrujados. Cheiro de ferrugem, cheiro de desejo. O som da máquina é pesado. Pesa como sinto.

Vou a pé, vou descalça. Os pés gélidos na terra, um vento cortante nos cabelos, o frio assola até meus ossos. Vou sobre os trilhos, a qualquer momento uma desgovernada máquina pode me encontrar. Não vou por que quero, vou porque preciso. Ou é você, ou é a morte congelada.


Sarah Rodrigues, divinopolitana, 17 anos. Começou a escrever o blog O Esticafio em maio de 2012, como forma de desabafo e auto conhecimento. É uma sonhadora. Gosta de música, teatro, cinema, literatura, filosofia e tudo o que agregar cultura. 'Tomates Verdes Fritos' e 'A Lista de Schindler' estão entre seus filmes preferidos. É fã de Chico Buarque, The Beatles, John Mayer e O Teatro Mágico. Pretende cursar Comunicação Social na universidade. 



As Pausas Da Vida, Najla Brandão

Paraquedas


Amarelo é tudo o que eu consigo escutar quando lembro que ainda dá pra amar um dia. É tudo o que eu consigo ouvir quando percebo que quase te amei. Quase cheguei lá no meio do tons de piano, da rouquidão do Martins e do silêncio que se fazia entre a gente quando quase nos entregamos por completo. O zelo continua o mesmo, o que mudou foi a vontade de ficar. O que me importa é saber que ainda cuido de longe: na prece, no carinho ao escutar as faíscas do violão e da guitarra. Ainda danço em cima dos restos de nós dois, sei que um dia vai nascer qualquer coisa nova e bonita para mim, espiões podm sair da terra úmida e eu vou aprender a amar de novo. Entre os problemas e as aranhas, eu acabei aprendendo a controlar as minhas ânsias. Eu nunca quis machucar ninguém.
No fundo sabíamos da imutabilidade e da inanição que por fim perseguiram nossos pequenos progressos. Não havia com o que se alimentar mais. Em um dia qualquer eu pularia de um precipício escarpado sem um paraquedas enquanto gritaria para não entrar em pânico. Imploraria uma ou duas vezes para que não enlouquecesse ou para que não se apaixonasse. Tudo não ia parecer nada além de uma tentativa patética de parar o inevitável. Não existe confiança em alta velocidade, só nossas cabeças explodindo e o arrepio enquanto se canta qualquer coisa sobre a eternidade.
Mas eu ainda tenho muito o que agradecer. Esperança ainda é uma palavra para se usar.


Najla Brandão, formiguense (residente em Divinópolis), 18 anos. Começou a escrever o blog As Pausas Da Vida em maio de 2013, mas esse não é seu primeiro blog. Definitivamente, ela não tem medo de ser feliz do seu jeito. Ouve Soulstripper, Dias de Truta e John Mayer. Pretende cursar Publicidade na universidade. É dona de um humor deliciosamente irônico. Lê Edgar Allan Poe e adora o seriado The Following.


Agora que conhecem um pouco da vida e obra (hmmmmmmmm) apreciem com moderação. 





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